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Creche

"Saber qualquer coisa implica agir sobre essa coisa, sendo essa acção física ou mental." Piaget

O Ministério da Solidariedade e da Segurança Social (MSSS) em Agosto de 2011 avaliando as necessidades das famílias relativamente aos apoios sociais, detectou um aumento da dependência dos agregados das Valências sociais, especialmente das Creches. Esta dependência está relacionada com as obrigações profissionais a que hoje em dia os agregados estão sujeitos (diversidade de horários, duplicação de obrigações profissionais, desemprego, etc.), necessitando de um local onde possam deixar as crianças e que estas possam usufruir de um espaço de "socialização e desenvolvimento integral" e que seja "potenciador do seu desenvolvimento, no respeito pela sua singularidade".

O MSSS decidiu então, actualizar a legislação que vigorava desde 1989 (Despacho Normativo nº99/89, de 27 de Outubro) e que estava já desajustada face à realidade de 2011, publicando a portaria Nº262/2011 de 31 de Agosto, que passa a regular as "condições de instalação e funcionamento" das Creches, sejam elas de iniciativa pública ou privada.

O MSSS na nova portaria, no seu artigo nº3, define o conceito da Valência de Creche "_é um equipamento de natureza socioeducativa, vocacionado para o apoio à família e à criança, destinado a acolher crianças até aos 3 anos de idade, durante o período correspondente ao impedimento dos pais ou de quem exerça as responsabilidades parentais._", reforçando a importância destes equipamentos, como complemento à família no processo de educação e acompanhamento das crianças. Na primeira década a seguir à viragem do milénio, o Psiquiatra Freitas Gomes, faz a seguinte distinção:


Educar = Estar com…Ensinar = Dizer a…

Ora, este autor defende que o acto de educar significa estar com a criança em diversas vertentes, no acompanhamento diário, no ensino, na diversão, em tudo aquilo em que a criança precisa de ser guiada para aprender e crescer num ambiente que seja protector, salutar e de conforto. Estes são também os objectivos da Creche do Colégio ATC, proporcionar às crianças um espaço de verdadeiro bem-estar, de conforto, de afecto, de protecção funcionando sempre como o complemento da família.

A nova portaria descreve os objectivos do trabalho a desenvolver nas creches, que vão de encontro aos objectivos inscritos no Regulamento Interno da ATC acrescentando o Colégio ATC alguns objectivos que considera serem importantes para a melhor e mais completa educação das crianças que nos frequentam.


O Colégio ATC possui no seu regulamento interno (Parte III, I Regulamento do Colégio ATC, art.º 2) os objectivos definidos para a valência de Creche:

- Proporcionar o bem-estar e o desenvolvimento integral das crianças num clima de segurança afectiva e física, durante o afastamento parcial do seu meio familiar através de um atendimento individualizado;

- Colaborar estreitamente com a família numa partilha de cuidados e responsabilidades em todo o processo evolutivo das crianças;

- Colaborar de forma eficaz no despiste precoce de qualquer inadaptação ou deficiência assegurando o encaminhamento adequado;


DE ACORDO COM A PORTARIA Nº262/2011 OS OBJECTIVOS E ACTIVIDADES E SERVIÇOS DAS VALÊNCIAS DE CRECHE SÃO OS SEGUINTES:

OBJECTIVOS (ARTº4):

a) Facilitar a conciliação da vida familiar e profissional do agregado familiar;

b) Colaborar com a família numa partilha de cuidados e responsabilidades em todo o processo evolutivo da criança;

c) Assegurar um atendimento individual e personalizado em função das necessidades específicas de cada criança;

d) Prevenir e despistar precocemente qualquer inadaptação, deficiência ou situação de risco, assegurando o encaminhamento mais adequado;

e) Proporcionar condições para o desenvolvimento integral da criança, num ambiente de segurança física e afectiva;

f) Promover a articulação com outros serviços existentes na comunidade;


ACTIVIDADES E SERVIÇOS (ART.º5):

a) Cuidados adequados à satisfação das necessidades da criança;

b) Nutrição e alimentação adequada, qualitativa e quantitativamente à idade da criança, sem prejuízo de dietas especiais em caso de prescrição médica;

c) Cuidados de higiene pessoal;

d) Atendimento individualizado, de acordo com as capacidades e competências das crianças;

e) Actividades pedagógicas, lúdicas e de motricidade, em função da idade e necessidades específicas das crianças;

f) Disponibilização de informação, à família, sobre o funcionamento da creche e desenvolvimento da criança.


São também para o Colégio ATC, para além do consagrado na Portaria do MSSS e do Regulamento Interno do Colégio ATC, os seguintes objectivos:

a) Realizar com as crianças pequenas experiências para que estas possam contactar com o mundo das ciências e assim desde a infância possam assegurar aprendizagens significativas;

a) Fomentar a inserção da criança em grupos sociais diversos, no respeito pela pluralidade das culturas;

c) Estimular o desenvolvimento global de cada criança, no respeito pelas suas características individuais, incutindo comportamentos que favoreçam aprendizagens significativas e diversificadas;

d) Desenvolver pedagogicamente a expressão e a comunicação através da utilização de linguagens múltiplas como meios de relação, de informação, de sensibilização estética e de compreensão do mundo;

e) Despertar a curiosidade e a criatividade;

f) Incentivar a participação das famílias no processo educativo e estabelecer relações e efectiva colaboração com a comunidade;

Também no Manual dos Processos Chave da Creche, o ISS, reforça a importância dos cuidados prestados e consagra os princípios orientadores para um serviço de qualidade.

"É no decurso dos 3 primeiros anos que uma criança vai aprender as principais regras de relacionamento com os outros, a andar a falar e a resolver problemas.

Através da relação com o outro, do que lhe é permitido ou não, das respostas facultadas e da rapidez com que estas são dadas que o processo de tornar cada criança num indivíduo único e com uma identidade própria se processa.

Sabemos que as experiências das crianças nos seus primeiros anos de vida estão muito relacionadas com a qualidade dos cuidados que recebem. (…) Os cuidados adequados durante a primeira infância trazem benefícios para a toda a vida. A infância é a etapa fundamental da vida das crianças sendo os primeiros 36 meses de vida particularmente importantes para o seu desenvolvimento físico, afectivo e intelectual.

Desta forma, importa que este novo contexto de desenvolvimento se caracterize por um ambiente acolhedor e dinamizador de aprendizagens, onde a criança se possa desenvolver de forma global, adequada e harmoniosa.

Para que este desenvolvimento ocorra, é ainda importante que estas crianças se encontrem num local onde possam ser amadas e sentir-se seguras. É igualmente importante que tenham oportunidades para brincar, desenvolver-se e aprender num ambiente seguro e protector. Só desta forma é que lhes será possível desenvolver a sua auto-estima, autoconfiança e capacidade de se tornar independente face aos desafios futuros com que irá sendo confrontada ao longo do seu desenvolvimento.


Neste contexto, torna-se necessário que os prestadores de cuidados responsáveis pela criança pautem a sua intervenção por critérios de qualidade:

- Ter em consideração o superior interesse da criança, especialmente quando se encontra a planificar o trabalho, aspecto que implica um trabalho de grande proximidade com a família desta. Há que estabelecer uma parceria forte com a família das crianças que estão ao seu cuidado, de forma a obter informação acerca das capacidades e competências das crianças.

- Nos cuidados tidos ao nível da qualidade das relações que a criança vai estabelecer quer com outras crianças quer com os adultos. É num contexto relacional que as aprendizagens da criança ocorrem pelo que quando se está a planificar um trabalho com estas crianças, este é um aspecto central a ter em consideração.

- Todas as crianças necessitam de se sentir incluídas, de ter um sentimento de pertença, de se sentirem valorizadas e importantes para algo. Este sentimento é possível de ser construído através do respeito mútuo e através de relações afectivas calorosas e recíprocas entre a criança e o adulto responsável por ela.


- Compreender as formas como estas crianças aprendem. Este é um processo complexo, em que se tem que promover um ambiente que facilite a brincadeira, a interacção, a exploração, a criatividade e a resolução de problemas por parte das crianças. Só desta forma é que elas poderão desenvolver o máximo das suas competências e capacidades. Isto implica:

* Pensar a criança como um aprendiz efectivo e activo, que gosta de aprender;

* Criar um ambiente flexível e responsivo que possa ser adaptado imediatamente aos interesses e necessidades de cada criança, promovendo o acesso a um leque de oportunidades de escolhas e que lhe permita crescer confiante e com iniciativa;

* Estabelecer relações que encorajem a criança a participar de forma activa. Crianças muito novas aprendem melhor através de aprendizagens activas em que se encontrem envolvidas e que possuam significado para elas, pelo que a brincar será o melhor contexto em que estas crianças aprenderão;

* Procurar conhecer o grupo de crianças pelo qual se encontra responsável, aprendendo a observar o seu comportamento e interacções;

* Estabelecer uma rotina diária consistente que reforce e valorize a continuidades. Desta forma, as crianças desenvolverão um sentimento de pertença a um ambiente que podem prever no seu quotidiano;

* Dinamizar oportunidades para que a criança possa comunicar os seus sentimentos e pensamentos (p.e. através da possibilidade de estar sozinha com o adulto de referência);

* Dispor de adultos que estão interessados e envolvidos na prestação dos cuidados à criança."
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